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Marcos Resende Filosoflechas

Marcos Resende Filosoflechas

Marcos Resende Filosoflechas 02

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Filosoflechas 01 ◦ Índice Geral 

101.
É INADMISSÍVEL DEMITIR 01
Impedir um profissional qualificado que trabalha naquilo que gosta e sabe fazer bem, deveria ser penalizado na categoria de crimes hediondos. O discurso rançoso dos verdugos responsáveis pelos “cortes”, alegando "contenção de despesas", "enxugamento da máquina", “repadronização do quadro”, oculta sempre (e sempre dissimulada e covardemente) inconfessáveis e claríssimos objetivos: enriquecer às custas da demissão de quem produz. Olhem aqui, empresários, chefes, chefetes: o direito de possuir e administrar uma empresa não existe exclusivamente para saciar a ganância do PATRÃO; aprendam de uma vez por todas que uma empresa tem, à luz da moral e da decência (e antes de qualquer razão de ser), função social, um conceito que de há muito deveria ter sido rigorosamente assumido. Demitir um profissional, do ofício para o qual ele, a vida inteira, às próprias expensas, se preparou — no qual, décadas investiu — é como confiscar de um operário, a ferramenta (e a mão que a maneja): da tecelã, o tear; do plantador, a enxada. Demitir um profissional é privá-lo da possibilidade de vida, bani-lo da felicidade, mutilá-lo no direito — repetimos — de exercer o que ama e sabe fazer como ninguém. E o que é pior: é interditar-lhe o acesso à dignidade, a viver como cidadão; extirpar-lhe o sustento, a remuneração, a subsistência.


102.
PASMACEIRA HABITUAL
Entra ano, sai ano — e seja qual for o canal — nada rola na TV, a não ser nossas cabeças, na degola semestral. (Aiiiiii, e agora é época! Inexorável, inevitável, sinistra e fatal: a impiedosa, a dolorosa "degola de Natal"!)

103.
RECLAMAÇÕES 01
Você acha que eu reclamo muito, né? Reclamo, mesmo, e vou continuar reclamando. Só reclama quem valoriza a autoestima e acha que merece algo melhor do que aquilo que lhe foi dado.

104.
RECLAMAÇÕES 02
A mesma pessoa que reclama quando está frio, reclama quando faz calor.

105.
PREÇO DA VIDA
O menininho pobre entrou na padaria:
— Quanto é o pão?
— 50 centavos — respondeu a moça do balcão.
E ele, apertando na mãozinha a moeda de 25:
— Não dá pra cortar no meio?

106.
SADOMASOQUISMO
O verdadeiro SM não é o chicote nem a corrente, mas o estrago que os relacionamentos fazem no coração da gente.

107.
LEI DE PROMETEU
De quando em quando me parece vir de lá do fundo, de lá de dentro da minha rancorosa e insana desconfiança de semideus rebelado, de titã escorraçado e exilado do Olimpo, a impressão de que se o Mundo fosse criado para dar tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo errado; provavelmente estaríamos correndo o risco de que tudo estivesse dando muito; mas, muito, mas, muito; mas, muito; mas, muito, muito, muito, muito mais certo.

108.
CAPRICÓRNIO E LIBRA
O capricorniano é mais do que um cabrito, é um rinoceronte. Pega uma reta e vai vai vai. Já o libriano, é uma planície. Se colocarem um copo d'água cheio até a boca na cabeça dele, ele conduz o copo sem derramar uma gota, até o Juízo Final.

109.
IR E VIR, PODE
Como se fosse uma espécie de consolação, para compensar a vergonha que é a aposentadoria no Brasil, o ancião paulistano pode se esbaldar, percorrendo à vontade, de graça, de ônibus e de metrô, toda essa maravilha que é a cidade de São Paulo! Isto, desde que durante o passeio evite despesas supérfluas e se mantenha bem longe de casas de diversões, bares e restaurantes, agências de turismo, shoppings — e outras extravagâncias, a ele proibidas pela miséria que recebe mensalmente do governo.

110.
RÉVEILLON À REVELIA
Entra ano, sai ano e a gente sempre entrando pelo cano.

111.
COMPROMISSO Uma coisa tem que ser dita em favor dos políticos. Político pode ser o que for, mas, amigo nenhum fica desempregado.

112.
POUCA VERGONHA
Se o Nelson Rodrigues entrasse num desses chats da Internet, provavelmente ficaria enrubescido como uma colegial; aliás, quem foi que disse que colegial ainda enrubesce?

113.
SOLUÇÃO “ESPONTÂNEA”
Pronto, a chuvarada começou. Acabou o belo sábado de sol, e por conseguinte, acabou também o meu problema de não saber o que fazer em tão belo sábado de sol.

114.
E LÁ SE FOI...
A hora é agora. Nunca deixe nada para depois. O depois não existe e ninguém garante que vai existir.

115.
MUDANÇA DE TRATAMENTO
Se eu te disser que V. vai ter que me dar todo mês 10% do salário, V. não vai me dar e ainda vai me chamar de louco. Mas, se eu conseguir te convencer que se V. me der todo mês 10% do seu salário vai conseguir se libertar de seus vícios, pagar suas dívidas, comprar casa própria, carro do ano, ganhar muito dinheiro e quando morrer vai para o céu — vai me chamar de... Pastor.

116.
DESCOBRIMENTO
O Brasil é um erro de português.

117.
CORAÇÃO DE LEÃO
Não é por nada, não, mas do jeito que as coisas estão, eu bem que ando merecendo um infarto.

118.
PABODE E SERTANOJO
Quando, no fim dos anos 80, surgiram com a corda toda as primeiras manifestações dos chamados PAGODE e MODERNA MÚSICA SERTANEJA (algumas, digamos, até razoáveis), cheguei a imaginar no meu incurável otimismo que, finalmente, diminuiria na mídia a enxurrada indiscriminada dos grunhidos e uivos ianques, e que o espaço seria, até que enfim, ocupado pela boa música brasileira. Errei feio! A bobagem gringa, graças ao eterno lobby das gravadoras, prosseguiu com o mesmo ímpeto — e como se não bastasse, o pagode de má-qualidade e a pseudo xaropada sertaneja passaram a ter um destaque inconcebível. As duplas de voz caprina e os falsos batuqueiros, fiéis adeptos do Repetitivo-ad-nauseam, se multiplicaram como só sabem fazer os ratos e as epidemias. Errei feio, como já disse, e o pior é que não vejo luz no fim desse malfadado túnel. Depois do estupro sonoro que já dura há bem mais de 20 anos, exorcismo alguma parece capaz de expulsar o bode da sala. Enquanto isso, a MPB, a verdadeira Música Popular Brasileira — no mundo civilizado, respeitada como uma das melhores e mais ricas do planeta — é o que menos se ouve por aqui.

119.
BEIJOCAS
Detesto quando me mandam beijocas. Se querem me beijar, que me mandem BEIJOS. A impressão que me dá é que beijoca é coisa de quem quer beijar, mas, com uma certa reserva, uma certa distância, para a pessoa beijada não ficar já pensando besteira... Beijoca é um beijo dado de má vontade a com imposto retido na fonte.

120.
(RE) SACAÇÃO
Sexta, bar. Sábado, bar. Domingo, bar. Segunda-feira, trabalhar, que ninguém é de ferro!

121.
CARNAVÁLIA
Carnaval não passa de uma festa pasteurizada, alegria forçada com data marcada — e o desfile de escolas, uma parada em ritmo de samba, cronometrada, fascista, mercantilista, engessada.

122.
DESVINICIANA
A vida é a arte do desencontro, embora haja tanto encontro pela vida.

123.
QUALQUER PESSOA É SUBSTITUÍVEL?
Claro que não, né? E se você ainda tiver alguma dúvida em relação a isso, basta tomar como exemplo Beethoven, Leonardo da Vinci, Einstein, Gandhi, Edith Piaf, Sinatra, Fernanda Montenegro, Pelé, Pixinguinha, Elis, Drummond, Guimarães Rosa, Cristo — e uma fila que não acaba mais. Aliás, ninguém é.

124.
SÓ PODE SER DOENÇA
Certas pessoas sentem absoluta necessidade, senão prazer em diminuir o mérito de quem tem. E não perdem uma oportunidade sequer, de fazê-lo. Esses "espíritos de porco" — e aqui não vai nenhuma ofensa aos suínos — se pudessem, passariam a vida cavando crateras para enterrar o brilho, o talento, o carisma, a fama dos vencedores.

125.
EXPECTATIVA ZERO
O ser humano é naturalmente lento, desatento, mentiroso, leviano, irresponsável, displicente, fútil, inadimplente, inconfiável, omisso, furão. E por ser assim, é uma temeridade, portanto, criar-se qualquer tipo de expectativa em relação a alguém ou a qualquer coisa que tiver que vir de alguém.

126.
DÚVIDA TOSTINES
Pergunta: a televisão brasileira é o que é, porque a educação do povo está como está — ou a educação do povo está como está, porque a televisão brasileira é o que é?

127.
INCOMPETÊNCIA DO PATRÃO
Shakespeare, em Hamlet, fala da "implicância dos chefes". Eu prefiro falar da incompetência deles. Numa empresa, quando a vaca foi pro brejo, dezenas, centenas de profissionais vão para o olho da rua. Por que? Porque o homem que manda não soube gerir os negócios. Aí vem a solução, acompanhada da justificativa "científica" que invariavelmente aplicam e divulgam: contenção de despesas. Quem paga o pato? Os diretores que ganham salário astronômico? Não. Um time de coitados sem-voz, com poder algum de opinião (de decisão, muito menos), que assistiram amordaçados à derrocada, contidos e mal-pagos.

128.
ASTROEGOLATRIA
O Aquariano se supõe o centro do universo; o Ariano, bem que gostaria de ser; já o Leonino tem certeza.

129.
PÓS-CONCEITO
Nem todo corintiano é necessariamente fanático, banal, inculto, arruaceiro, malandro, mal educado, mal vestido, maloqueiro, assim como nem todo anticorintiano é necessariamente preconceituoso.

130.
AUTODEFINIÇÃO
Nem rico, nem bonito. Infelizmente, inteligente.

131.
PESSOA ERRADA
Desejar é possível, comer é impossível.

132.
FAN(ATISMO
Se você nasceu com temperamento de fã, por favor, não seja fã de um ídolo só, mas, de vários. Fã de um ídolo só é intragável, insuportável, não há quem aguente.

133.
DECOLAGEM
Há pessoas que se especializam em puxar o tapete e tirar o chão da gente. Ainda bem que eu sei voar.

134.
APELAÇÃO
O verdadeiro comunicador de sucesso não é aquele que apela para os piores instintos do ser humano na tentativa de subornar o público com engodos de conteúdo mal intencionado, duvidoso, popularesco e de fácil consumo, mas, sim, o que consegue vender a milhões de espectadores que a qualidade deve estar sempre em primeiro lugar, em qualquer hipótese. O legítimo comunicador é aquele que é capaz de transformar qualidade em audiência. 


135.
“CACOS”
O abuso do “caco” (frases e piadas improvisadas pelo ator, sob o beneplácito e conivência do diretor), como tem acontecido em certos programas humorísticos (ou não) de televisão, dá origem a uma co-autoria, se não desleal e indesejável, pelo menos arbitrária e invasiva, já que feita pelas costas, o autor ausente. Na maioria das vezes, o autor não tem como se defender, se manifestar e aprovar ou não a insolicitada parceria.

136.
CHATO NO BAR
Gostaria muito de saber por que é que os muito-chatos, os mentirosos, os imbecis — além de tudo são detentores de um material vocal, um timbre estridente ou irritantemente grave, raiando a esfera do intolerável, o que possibilita que eles falem num volume maior que todo mundo.

137.
CRAQUÍSSIMAS!
Dia virá, e não vai demorar muito, em que a mulher jogará futebol melhor do que o homem. Faz parte do processo de decadência perceptível, generalizada, indiscutível e inexorável, do sexo macho.

138.

CONTRA-MÃO Aqueles que mais reclamam, que mais cobram, que mais criticam, que ostentam preconceitos, que permanentemente discriminam, são os que menos contribuem, os que menos somam, os que menos fazem.

139.
CAMUFLAGEM
Não existe pior cretino que o homem medíocre que adquiriu um certo verniz.

140.
"COM O SUOR DO SEU ROSTO"
Quando o Senhor, no Jardim do Éden, condenou o homem a trabalhar, mal sabia Ele que hoje em dia ficaria tão difícil arranjar emprego.

141.
CALORIA ZERO
As pessoas são por demais preconceituosas e intolerantes. Até mesmo quando se trata de alimentação. Quem, até ontem atingia o orgasmo ao comer uma picanha, um pernil, lombo, bisteca — e de uma hora para outra resolve se tornar vegetariano — ah, é só uma questão de tempo! Passa a nutrir ódio, nojo, repulsa pelo pobre carnívoro que permaneceu fiel às animais proteínas; e a considerar churrascaria um antro abominável de asquerosos canibais.

142.
LIBERTAS QUAE SERA TAMEN
Quando um povo oprimido descobre que pode reivindicar, e constata surpreso que suas reivindicações estão começando a dar certo; aí, sim! É como se esse povo estivesse despertando de uma longa hibernação política e dando seus primeiros passos para a única democracia possível: a verdadeira.

143.
TRANSTORNO DA BIPOLARIDADE
Eu sou bipolar, você é bipolar, o Mundo é bipolar: Polo Norte e Polo Sul.

144.
MALEDICÊNCIA
A força mais destrutiva do universo é a fofoca.

145.
REPAGINAÇÃO
Só não muda de vida quem não tem vida para mudar.

146.
BOTÃO POWER
Há muito tempo me passa pela cabeça uma coisa bem óbvia e que por ser justamente simples e óbvia, é possível que seja sábia e verdadeira: a Vida é tal e qual um videogame: a cada nível que supero, vai ficando mais e mais complicada, até atingir a muralha do indecifrável, o nível da encruzilhada: desistir e não jogar mais, mudar de jogo ou desligar a máquina.

147.
O REFERIDO É VERDADE, DOU FÉ
Todo e qualquer cartório é a certidão autenticada com firma reconhecida do lamentável atraso moral da Humanidade.

148.
SOLIDARIEDADE
Ninguém ajuda a trocar pneu furado de carro de mulher feia.

149.
IBOPE X GFK ― A NUMEROMANIA
Há pessoas que não conseguem enxergar outra coisa além da competição. Tudo é uma grande competição: "eu sou Caprichoso, eu, Garantido"; "eu sou Mangueira roxo, eu, Portelense de coração"; "em Minas, Atlético, em São Paulo, Corinthians, no Piauí, sou Parnahyba"; "no Big Brother, vai dar o Caipira na cabeça!". A obsessão é tão grande que a monomania migrou para a Televisão e o Ibope. Ao invés de se ater à qualidade, beleza e conteúdo do programa, não, nada disso ― o que interessa são os índices de audiência. E olha que ainda não está funcionando o outro instituto de aferição, o GFK alemão!... Porque... quando ele chegar, aí vai ter gente torcendo para os números do GFK ganharem do resultado do Ibope, ou vice-versa, quem viver verá. É ou não é doença?

150.
BICHICES
O que é do homem, o bicho não come. O que é da mulher, a bicha não quer.

151.
E VAMOS ÀS SUBSTITUIÇÕES
Neste país onde corrupção é regra e não exceção, juiz de futebol mutreteiro dura mais do que Juiz de Direito honesto e durão.

152.
SOLUÇÃO
Para tudo tem solução, menos para a morte. Porque a morte é a maior de todas as soluções.

153.
É INADMISSÍVEL DEMITIR 02
Este vaivém de demissões/admissões nas emissoras de televisão contemporâneas, não pode ser de forma alguma salutar para qualquer empresa que seja (que envolva Criação ou não), e o ônus que pagarão por isso já começa a se refletir na inegável decadência de todas elas. Ninguém consegue criar coisa que preste num reinado de terror, sem um mínimo de tranquilidade advinda da estabilidade. Muitas dessas demissões têm origem na incompetência do Cérebro-Dono, que se dá o direito e a tarefa de decidir, de escolher, criar e implantar produtos e programas. Estes programas triunfam... ou fracassam (sejamos francos: uma significativa parcela deles fracassa). Este fracasso costuma ser traduzido por baixa audiência. E quando isso acontece, os possíveis patrocinadores deixam de compra-lo ou se já compraram, caem fora ― e os profissionais (que não tiveram oportunidade sequer de opinar quanto à possibilidade de potencialmente dar certo ou não o novo programa que o Dono mandou fazer) são, na maioria das vezes, os únicos penalizados. É uma política perversa que tem nome: “Obra Certa”. Programa que não dá certo, quem estava trabalhando nele vai para a rua. Ah, mas, os chefetes continuam confortavelmente em suas cadeiras. E o Cérebro-Dono, que manda e desmanda, continua desmandando e mandando... profissionais embora.

154.
NOME PRA LUA
Tem gente que precisa quebrar muita, muita, muita pedra para construir seu muro,
mas, em compensação tem gente também que não tem nem o trabalho de construir... o nome:
― "Como a criança vai se chamar?” ― pergunta o pastor na pia batismal da Catedral.
― "John Davidson Rockfeller Jr.” ― responde o padrinho Henry Ford.


155.
INTELIGÊNCIA, OLHAR E CHARME
O que é o Charme? É a inteligência desenhando traços no rosto, expressões que fazem com que uma pessoa fique falsamente indignada, irônica, brejeira, marota, mas, sempre interessante. Há pessoas bonitas e charmosas; há pessoas bonitas e absolutamente desprovidas de charme. E há pessoas não tão bonitas, que irradiam charme por todos os poros; e que com isso, acabam ficando encantadoras! A inteligência é a verdadeira alma do rosto ― e a expressão dos olhos, a luz que emana do cérebro e do coração.

156.
FÓRUM DO LALAU
O grande Ruy, além de tudo, foi um profeta em causa própria. O "Fórum Trabalhista Ruy Barbosa" ninguém sabe onde fica. Mas, peça a um taxista que leve você ao "Fórum do Lalau"!... O nome oficial do fórum da Barra Funda é "Ruy Barbosa", mas, é injustamente conhecido pelo apelido popular, em "honra" a alguém que se enquadra na descrição do Conselheiro Ruy ― e aí eu vejo embutidas as célebres palavras e expressões dele: "nulidade", "mãos dos maus", "prosperar a desonra", "rir-se da honra". Apenas uma ressalva: jamais passaria pelo pensamento do gigantesco Ruy Barbosa sentir "vergonha por ser honesto".

157.
O PIOR DOS MUNDOS POSSÍVEIS
A bem da verdade, neste momento de reflexão, meus queridos “Cândidos de Voltaire”, infelizmente não “vivemos no melhor dos mundos possíveis”. Seria tapar o sol com a peneira fingirmos não tomar conhecimento dos invejosos crônicos; dos "puxadores de tapete"; dos que nasceram "do contra"; dos retrógrados; dos medíocres; dos iletrados; dos complexados, justamente por serem analfabetos e incultos e que disso arrogantemente se vangloriam, como se a ignorância fosse ouro e não desdouro; dos estagnados, dos "quantopiormelhor"; dos que não suportam ver ninguém bem; dos caluniadores; dos que são ambiciosos para o Mal; dos perpetuamente pre-guiçosos: dos bajuladores de plantão; dos enganadores; dos corruptos e ladrões; dos que fizeram promessas sem a mínima intenção de cumpri-las; dos que empurram tua cabeça para baixo com o fito de te sepultarem vivo; todos que já tiveram uma atitude abominável para conosco ou que proferiram uma palavra de desencorajamento, seja lá o que fosse que estivéssmos empreendendo; que nos apagaram o brilho dos olhos, que contribuíram decisivamente para a derrocada de nossas conquistas, de nossa evolução, de nossos sacrifícios, nos tsunamis que nos tragaram em frustrações imorredouras por muitos de nossos fracassos, que tinham tudo para não sê-lo.

158.
PRECOCE IDADE
Na Terra onde tudo se paga, o precoce paga um preço: fica velho antes.

159.
“VIVER E ESPERAR”
(Alexandre Dumas em “O Conde de Monte Cristo”, uma apologia à Vingança)
Da mesma forma que todo malandro nasce sabendo que bronca é instrumento de otário, um Filho da Luz não perde tempo com Vingança, porque (se aqui neste planeta onde estamos de passagem, muito pouca coisa funciona como deveria), no Universo, absolutamente NADA deixa de funcionar, nem o que aqui chamamos Vingança, e que no Plano Sideral tem caráter de lei: a Lei de Causa e Efeito. Desse tribunal não há fuga, não há indulto de Natal, não há brechas, não há suborno. Nesse tribunal, réu, advogado, promotor, juiz constituem um elemento único ― e o banco do réu está fixado num dimensão de onde não temos como escapar. Portanto, da mesma forma que um Filho da Luz sabe que vingança é instrumento de otário, todo ser humano nasce intuitivamente sabendo que “olho por olho, dente por dente” funciona como sempre funcionou; que Cristo não veio para modificar a Lei, mas, para confirmá-la e que um dia, cada um de nós, terá que ajustar contas, olho no olho, com ela. A vingança de Edmond Dantès, o Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, é cócega de pluma de avestruz se comparada à Lei da Consciência.

160.
PONTO DE VISTA
É só uma questão de enfoque: nesta tarde, por exemplo, eu acordei bem cedo!

161.
CALA A BOCA!
Palavras têm sentido e razão de ser até determinada fase. Quando se tornam redundantes, repetitivas; quando os acontecimentos começam a ficar muito parecidos uns com os outros, o palavrório saturado corre o risco de cair no perigoso buraco negro da mesmice ― e a palavra de virar camaleão: passar a fazer parte da paisagem. É aí que chega a hora de agir! 

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